segunda-feira, 8 de outubro de 2007

capisce?

(...) "A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar".

Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem."

Caio Fernando Abreu, IN Carta ao Zézim

3 comentários:

Cacá BH disse...

oi Camila, isso aí, está tudo dentro da gente... Basta a gente buscar!!!
Boa semana!!!

Susana B. disse...

Olá Camila.

Obrigada pela sua visita ao palavras que me tocam... Fico feliz por acompanhar o meu blog. Também gostei do seu e vou voltar. Já agora, pode dar-me mais informações sobre o autor deste texto? Gostei muito deste excerto.
Obrigada.
Beijinhos.

Susana B.

Maitê disse...

Oi Camila. Estou num momento que eu queria a jamanta do Caio Fernando Abreu. Ia ser a solução pra minha existência. Já leu a crônica sobre a jamanta?

Abs