domingo, 23 de setembro de 2007

take it easy... and love.

"O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais,
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante
que nem eu mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessimista;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa,
violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade... sei lá de quê!"

[Florbela Espanca]


Eu sempre achei que as pessoas que amavam demais, que se entregavam em excesso sem saber como nem onde, eram as mais felizes. Assim como a Florbela se descreveu acima. Hoje eu tenho as minhas dúvidas. Continuo achando que é necessária uma dose de entrega, amor e paixão em tudo que fazemos, afinal apatia, covardia e desprezo são sentimentos para fracos, e nós não somos assim. Mas hoje penso que é mais adequado, sensato e saudável buscar um equilíbrio nas relações, antes de se jogar de cabeça. Não se entregar demais sabendo que o chão é frágil e pode ruir a qualquer momento. Por quê? Para que e para quem? O que buscamos no outro que na verdade está em nós? Porque criar expectativas tão elevadas? Por que se entregar de corpo, alma e coração a uma relação fadada ao fracasso?

Não, eu ainda não tenho as respostas, mas pelo menos já sei as perguntas. Agradeço a quem veio e me mostrou o caminho. Houve sofrimento e dor? Bastante. Mas também houve crescimento, maturidade emocional, autoconhecimento e mais. Este foi o melhor lado de tudo que ficou. Porque muita coisa ficou.

5 comentários:

Luciana Pessanha Pires disse...

Camilinha, que cantinho delicioso! Parabéns, minha querida!
Li o belíssimo texto de Florbela usado como epígrafe e suas considerações. Gostei muito.
Nossa caminhada nos ensina também através dos equívocos. Isso me faz lembrar Merleau-Ponty:
“O equívoco é essencial à existência humana, e tudo o que vivemos, ou pensamos tem sempre vários sentidos”.
Beijo carinhoso

Juliana disse...

Ah que bacana!! Tô feliz por você!! Muito bom blogar e ser blogada!! Adorei X 50 milhões. E olha, muita coisa fica mesmo. Aliás, somos resultado de tudo que fica né? Ainda bem!! Sinal de que aprendemos alguma coisa durante a dura jornada.
Um beijo enorme, minha bela coisa simples.

Cris disse...

E são Camilinha, e são!!
.. talvez a gente tenha que ruir junto com o chão, para perceber que a verdade e as respostas estão, sim, na gente..
E mais, com o tempo, talvez a gente perceba que a entrega sempre vale a pena, porque é, muito mais, ao próprio sentimento, ao encantamento de estar apaixonado, do que propriamente ao objeto de nosso amor..
Simples como as coisas belas..
Belas como esta Camila e suas letrinhas..e este blog que já se inicia repleto de entrega, amor e paixão..
Beijinhos jinhos inhos :)

silvia.tirone disse...

O que posso dizer pra vc?
Sou sua fã....incondicional, número 1 e até debaixo d´agua...
Esse blog é um verdadeiro presente pra nós...eu nao me canso de entrar na sua pagina do orkut para ler seu perfil, imagina só como entrarei aqui, só pra me deliciar com as verdades dos seus textos...
PARABÉNS....Super bjo Sil.

Thiago disse...

Não, não. Eu discordo. Antigamente eu era do tipo "moderado" Meu lema era esse inclusive. Hoje renego totalmente, ao menos na vida pessoal. Tudo tem que ser intenso. Que dure pouco, mas que seja intenso.
Novamente volto com Henry Miller:
"Se sou inumano é porque meu mundo transbordou de suas fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restringidas pelas moralidades e pelos códigos, definida pelos lugares-comuns e ismos.
(...) Tenhamos um mundo de homens e mulheres com dínamos entre as pernas, um mundo de fúria natural, de paixão, ação, drama, sonhos, loucuras, um mundo que produza êxtase e não peidos secos.
(...) Que os mortos comam os mortos. Dancemos nós os vivos, à beira da cratera, uma última e agonizante dança. Mas que seja uma dança!"

Sendo assim, estendo meu braço e lhe chamo para dançar =]