quarta-feira, 14 de novembro de 2007

a vida é dura.

Este último final de semana foi "cinema em casa" total: revi 2 filmes ótimos: Fale com ela, do Almódovar e Brilho eterno de uma mente sem lembranças, com Jim Carrey - único filme que ele parece um cara normal e não faz caretas como o Máscara. O primeiro fala de amizade, amor incondicional e entrega, princípios e decisões e acidentes que mudam sua vida para sempre. É um filme lindo, com a fotografia e as cores que só Almodóvar conhece. Certamente um dos filmes que encabeça minha listinha VIP de filmes perfeitos.

O segundo não é assim o top, na minha opinião. Deveria ser um pouco mais curto. Mas é sempre bom rever porque fala de uma história de amor que terminou, de um casal que decide simplesmente apagar as lembranças que tinham um do outro, para evitar o sofrimento e a dor da perda. Quando o cara percebe que está destruindo tudo de ruim e também tudo de melhor que viveu com a menina, resolve voltar atrás e parar o processo. Talvez seja tarde demais - ou não. Talvez seja a oportunidade para começar tudo de novo, reescrever uma história que pode ter um novo final. Feliz, lógico.

Mas na verdade o que eu queria mesmo era falar do filme O cheiro do ralo, que eu também vi neste mesmo final de semana- este, inédito para mim. Gente, que filme é esse? Bizarro, escatológico e muito bom!!! Começa com a câmera seguindo uma bunda. E conta a história de Lourenço (Selton Mello), que trabalha comprando objetos antigos das pessoas. E tem prazeres, fantasias e pensamentos muito peculiares. Como disse o diretor no extra do dvd, o filme fala sobre o "lado B" que todos nós temos, mas poucos acabam verbalizando... E, ligado a isso, fala também sobre a moral de cada um. Tanto que Lourenço pergunta para um dos caras que passam pela sua loja: "Até onde vão teus princípios?"

Anotei algumas outras frases bem interessantes:

"Cheiro estranho. Deve ser do ralo."

"Não se deve alimentar o monstro, senão ele cresce."

"Você fala demais para um leigo."

"O lixo é o troco."

"Deus criou o mundo, mas foi o homem que deixou ele confortável."

"Estive no inferno e lembrei de você."

"Hoje, eu sou mais eu."

"O canário é belga?"
"Pode ser."

"A vida é dura".

Lourenço repete a frase acima muitas vezes durante o filme. Quando não queria comprar algum objeto, simplesmente dizia para a pessoa que estava querendo vender: "Isso não me interessa. É, a vida é dura. E agora sai que vou chamar o próximo". Belo ensinamento o do Lourenço. Toda vez que penso no que aconteceu e nas coisas que li e vivenciei pós-rompimento, eu lembro que a vida é dura mesmo. E nem por isso a gente vai parar a história. Pelo contrário, quer mais é seguir em frente. E que venham novos amores e novas experiências. Cada dia que passa só reafirmo a certeza que a atitude foi a mais correta, a mais sensata, a melhor coisa a fazer. Só tenho a dizer que "Hoje, eu sou mais eu". E ainda: "Estive no inferno e lembrei de você". Pois é, o filme é bom mesmo, os diálogos também... hehehe

Voltando... Filme incrivelmente irônico, inteligente e bem feito. Os tipos que passam para vender seus objetos, um melhor e mais bizarro que o outro. E ainda tem o Selton Mello, que continua uma graça mesmo fazendo um personagem tão "exótico"... rs

3 comentários:

Cacá BH disse...

oi Camila....
nossa, também gosto muito de Almodovar... Ele tem umas peculiaridades que me fascinam....
E esse filme Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças também me fascinou...Sempre que vejo, descubro algo novo...
Agora esse filme "O cheiro do ralo" eu não vi ainda, quem sabe eu alugo para esse feriado não é mesmo???
beijos!!

Vera disse...

Belas descrições! Dá até vontade de ver os filmes!

Beijinhos

clara disse...

Sabe que eu vi outro filme com Jim Carrey que ele não faz caretas? Gostei mto: o nº 23.

Sobre "o cheiro do ralo", concordo que é bizarro mas não gostei tanto qto vc. As coisas bacanas parecem que foram escondidas nas entrelinhas, sabe como? Me cansou...