sábado, 24 de novembro de 2007

strawberry fields forever

Clarice Lispector já avisou: ‘Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.’

O verão está aí, hoje está um dia lindo e azul e eu deixo o desejo de um final de semana repleto de coisas boas e que os momentos felizes sejam de fato felizes, intensos e verdadeiros. Com morangos salpicados no açúcar ou no chantilly. :-)


MORANGOS

Nunca houve morangos
como os que tivemos
naquela tarde tórrida
sentados nos degraus
da porta-janela aberta
de frente um para o outro
seus joelhos encostados nos meus
os pratos azuis em nossos colos
os morangos brilhando
na luz quente do sol
nós os mergulhamos em açúcar
olhando um para o outro
sem apressar a festa
para chegar ao fim
os pratos vazios
deitados sobre a pedra juntos
com os dois garfos cruzados
e me aproximei de você
dócil naquele ar
nos meus braços
abandonado como uma criança
da sua boca ávida
o gosto de morangos
na minha memória
inclina-se de volta
deixe-me amá-lo

deixe o sol bater
sobre o nosso esquecimento
uma hora de tudo
o calor intenso
e o relâmpago de verão
nas colinas de Kilpatrick

deixe a tempestade lavar os pratos

Edwin Morgan

2 comentários:

Luciana Pessanha Pires disse...

Inaugurando!!! hehe
Que lindo esse poema, Camilinha! Muito sugestivo. Não demora muito estarei de volta à estas deliciosas cenas. hehe

ótimo final de semana!
Bjo

disse...

É, moça... a identificação com os textos acabam nos fazendo senti-los mais do que quem nunca viveu nada parecido.

Que bom que gostaste.

Belíssima escolha fizeste ao postar esse poema. Mto bom mesmo.

Bjs e aproveita o resto do domingo. Inté.