domingo, 2 de agosto de 2009

E que nada se perca infinitesimalmente.

Lindo, sensível e perfeito para um final de semana vivido com uma carga extra de surrealismo, amigos queridos e poesia:

"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

2 comentários:

Ju disse...

Hj vivi minha primeira vez até a última gota de sangue. E vc presenciou. Foi demais!!!

disse...

Isso me lembra o Carpe Diem do arcadismo. E eu assino embaixo. Menina, que sorte encontrar alguém que já viu esses filmes... pq me disseram que ninguém nunca viu, pode? Absurdo! Vou procurar o que indicaste. Ontem assisti o Feliz Natal, dirigido pelo Selton Melo e acho que definitivamente ele é um ótimo ator. rs.

Bjs, mocinha. ;)