terça-feira, 20 de janeiro de 2009

o magro invento de um sonho

Poesia

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer.

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo,
eu sei
Ainda assim,
escrevo.

Mia Couto

2 comentários:

Annanda Galvão disse...

que lindo!!

às vezes as palavras faladas faltam...sempre temos as escritas para tentar nos fazer enteder..pelo menos por nós mesmo...
beijos minha querida!

Juliana Ricci disse...

caracoles!!!! lindo demais. e muito significativo. aafff......