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terça-feira, 14 de outubro de 2008

sobre o encurtamento das distâncias e a incompletude nossa de cada dia

"A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas."

Manoel de Barros

Em entrevista ao programa Starte, da GloboNews, o poeta Manoel mostra sua fazenda no Pantanal e também uma sensibilidade e humildade que poucos seres humanos conhecem, já ouviram falar ou mesmo entendem como funciona. O cara é mestre, veja o vídeo, vale a pena. E as imagens e a música são belíssimas também. Dá vontade de chorar. (Tenho estado muito sensível esses dias, vai entender).

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

lindo e simples

Mais um Natal. Ganhei presentes lindos, mas os melhores e mais especiais foram os abraços, carinhos e afetos que passei ao lado dos amigos e família. Momentos únicos ao lado de seres fundamentais na minha vida. E agora, a ordem é descansar, esvaziar a mente e não pensar muito. Viver o hoje, simplesmente. Com certeza este periodo de "ócio criativo" vai me fazer um bem enorme e voltarei renovada para 2008.

Férias de trabalho e da vida maluca de Sampa, mas nunca de poesia. E se tem um poeta que eu gosto muito e leio sempre é o Manoel de Barros. Me encanto pela forma como ele brinca com as palavras, tratando cada uma delas com uma delicadeza e simplicidade ímpar.

"Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdade
nem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,
etc. (essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)
Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse."

Manoel de Barros