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segunda-feira, 8 de abril de 2013

pelo dia de hoje. por tudo que virá.



Eu nasci
para sentir. 

Habito nas emoções. 

Que a palavra 
nunca me abandone 
é só o que peço. 

Eu dou conta do resto.

(Marla de Queiroz) 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

shadows

Um dia comprido, cumprido. Nem tudo precisa ser o tempo todo bom ou bonito. Nem a gente. Às vezes as virtudes também tiram folga... Mas não é para a sombra nos engolir, é só para conhecermos o nosso lado obscuro e tentar entender o do Outro. A crise é preciosa, nos tira do mesmo lugar, nos inquieta, convida à reformulação interna. Aprecia a luz quem transitou no escuro e se assustou com ele. Mas não há o que temer. É inútil. Então, medo para quê? É noite, mas um agora vigora. A vida não mobiliza as auroras. Que tenhamos tranquilidade e confiança para amanhecer.

Desejo boas notícias.

Marla de Queiroz

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Eu e meus mitos

Eu amei o texto autobiográfico escrito pela Marla de Queiroz (que conheci outro dia por alguém très especial). Me identifiquei tanto que resolvi reproduzir aqui (tirei algumas pequenas partes que eram muito específicas do momento dela):


        "Não encontrei o mar revolto em Pessoa, mas vi em Hilda Hilst seu jeito destemido de ser tão obscena e obcecada. Não fui moça casadoira como Adélia Prado, eu me inseri na babilônia da lascívia de Anais Nin, entre a loucura, a delícia e a razão fantasiada. Eu quis salvar a vida de Ana C. que virou passarinho em Manoel de Barros. Estive com Clarice, Caio e Mia Couto, mas quis que Guimarães me amasse qual neblina Diadorim: faltou meu Riobaldo, um rio nosso, terra seca e a boca molhada de neologismos pra mulher amada.
         (Fui quase injusta em desejar que as coisas tivessem sempre um real tamanho, que as fomes fossem saciadas sempre pelo melhor gosto, que a chuva só desabasse em tempos de matar a sede.) Tranquei meus dias ruins nas cores de um Miró aceso.
         (...) Se quase sucumbi num poço de tristeza, me reergo até hoje, constante e amiúde, fazendo o meu melhor_ fiz o maior que pude. Mas não me preservei: ainda sou lanhada pelos galhos de matas fechadas que são o meu altar, minha estrada.
        Engulo o amargo da saudade sem fazer careta, absorvo o azedo da rejeição sem me achar menor, abro os braços para a escuridão contando estrelas, gasto cada gota de suor e sangue nas minhas entregas. E não economizo gargalhadas, mas pago o preço alto do inconveniente de viver no mundo paralelo e metafísico onde vivem as palavras.
       Estive em muitas páginas. Grifei muitos parágrafos. Sorvi tantas inglórias e orgasmos e vitórias. (...) Eu tenho um jeito enorme de amar pra sempre, mas sou desajeitada.
Eu tenho um jeito imenso de ser comovente, mas sempre concluo as histórias na hora errada."


Marla de Queiroz
(texto publicado em sua página no facebook)