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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Canção da Alma Caiada


Aprendi desde criança 
Que é melhor me calar 
E dançar conforme a dança 
Do que jamais ousar


Mas às vezes pressinto 
Que não me enquadro na lei: 
Minto sobre o que sinto 
E esqueço tudo o que sei.


Só comigo ouso lutar, 
Sem me poder vencer: 
Tento afogar no mar 
O fogo em que quero arder.


De dia caio minh'alma 
Só à noite caio em mim 
por isso me falta calma 
e vivo inquieto assim. 


(Antonio Cícero)


Nota: Esta é a primeira letra que Marina musicou, feita por Cícero nos USA, "Canção da Alma Caiada". Maria Bethania chegou a gravar a música em 77, mas foi censurada. Anos depois, Zizi Possi fez nova gravação. Embora Marina já tenha cantado essa canção em shows, nunca gravou-a em disco. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

vale o quanto brilha

Acontecimentos
Marina Lima
Composição: Marina Lima/Antonio Cicero

Eu espero
Acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento

Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia

O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você

Como pôde
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes

O que que há com nós dois amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

***

quinta-feira, 20 de março de 2008

inimaginável beleza e dor

SAIR

Largar o cobertor, a cama, o
medo, o terço, o quarto, largar
toda simbologia e religião; largar o
espírito, largar a alma, abrir a
porta principal e sair. Esta é
a única vida e contém inimaginável
beleza e dor. Já o sol,
as cores da terra e o
ar azul – o céu do dia –
mergulharam até a próxima aurora; a
noite está radiante e Deus não
existe nem faz falta. Tudo é
gratuito: as luzes cinéticas das avenidas,
o vulto ao vento das palmeiras
e a ânsia insaciável do jasmim;
e, sobre todas as coisas, o
eterno silêncio dos espaços infinitos que
nada dizem, nada querem dizer e
nada jamais precisaram ou precisarão esclarecer.

Antonio Cicero
De A cidade e os livros (Record, 2002)

Nota: Antonio Cicero nasceu no Rio de Janeiro em 1945. Estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos. É poeta, filósofo e letrista de MPB (em parcerias sobretudo com sua irmã, Marina Lima).

Bom feriado e boa páscoa! Ah, não abuse do chocolate - pode causar espinhas e piorar o estado de ansiedade dos mais estressadinhos. rs