segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Recomeça...

Se puderes


Sem angústia


E sem pressa.


E os passos que deres,


Nesse caminho duro


Do futuro


Dá-os em liberdade.


Enquanto não alcances


Não descanses.


De nenhum fruto queiras só metade.


(Miguel Torga)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

o outro lado do mar

Feliz 2011. Para começar o ano, poesia: 

«Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projectos. Acho que o planeta está perdido e que, provavelmente, a hipótese de António José Saraiva está certa: é melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas têm mais tempo para olhar para os outros.»
Al Berto

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

um pouco mais, percebe?

Taí um bom desejo para o ano que chega:   
De agora em diante eu quero mais do que entender: eu quero superentender, eu humildemente imploro que esse dom me seja dado. Eu quero entender o próprio entendimento. Eu quero atingir o mais íntimo segredo daquilo que existe.
Clarice Lispector, Um Sopro de Vida

coisas que se comem por dentro


O meu nome por dentro do teu nome. O teu nome a pedir perdão por tudo. O meu nome, o teu nome, agarrados por cordas, a cair num precipício. Os nossos nomes são coisas que se comem por dentro. As coisas pelos nossos nomes são aves sagradas. Nome a nome, coisa a coisa. O sol morre dentro do meu nome, na minha boca. O teu nome abriga numa mão fechada o que resta do meu nome. Nomes muito belos. Um nome sem nome. Um nome inefável, inomável. Um nome que ninguém conhece. Só o teu nome sabe o meu nome de cor. O meu nome a subir pelo teu. O teu nome repete o meu nome, nome a nome, sílaba a sílaba. As coisas pelos seus nomes. Os nomes pelas suas coisas. Cada coisa com seu nome, o nome sem fim. Cada nome com sua coisa. O nome do nome no umbigo do mundo.

Pedro Paixão

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

e a vida o que é, diga lá meu irmão...


Uma coisa eu acho que há:
tem gente que gosta de vida,
tem gente que não.
Mas uma pessoa que não gosta
uma hora pode pegar de gostar,
e o contrário também.
O mais comum é que o gostar
ou não gostar predomine ao largo
e se contrarie em pequenas horas.
Eu sou uma que gosta.
Que gasta mais tempo gostando.
Essa é que é minha sorte.

Raiça Bomfim


P.S.: Obrigada, Jennifer, por me mostrar Raiça e tantos outros poetas e seus escritos apaixonantes. :)