segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Só Para Mulheres

Clarice Lispector

“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente.
Desde que seja seu mesmo.”
(Helen Palmer)

Com o pseudônimo Helen Palmer

Separada do diplomata Maury Gurgel Valente e acompanhada de seus dois filhos pequenos, Pedro e Paulo, Clarice Lispector retorna ao Brasil para viver no bairro do Leme, no Rio de Janeiro. Nesta época, ela inicia nova colaboração com os periódicos cariocas. De agosto de 1959 a fevereiro de 1961, ela assume o pseudônimo de Helen Palmer para assinar a coluna “Correio feminino – Feira de utilidades”, no jornal Correio da Manhã. O espaço tinha o patrocínio da indústria de comésticos Pond’s, e deveria dar dicas de beleza a partir dos produtos da empresa, sem citar explicitamente sua marca.

Clarice Lispector fez de Helen Palmer uma conselheira de moda, beleza e, principalmente, de sedução. Em colunas como “Cursinho de emergência”, “Cursinho sobre cabelos” e “Cursinho sobre perfume”, as receitas visavam a conquista do bem-amado. A mulher deveria ter a pele bem cuidada, os olhos brilhantes, os cabelos sedosos e, principalmente, uma personalidade cativante – delicada, alegre, com gestos contidos e muita feminilidade. Nada de vestidos muito justos, saltos muito altos, excesso de jóias ou de pintura que, segundo a colunista, os homens detestam. Helen Palmer orientava sua leitora a ser discreta, pois “chamar a atenção não é a finalidade de uma mulher elegante e inteligente” , como pode ser conferido na coluna publicada em 04 de maio 1960:


Discrição:

Você naturalmente sabe que chamar a atenção não é de bom-tom e dá sempre uma impressão muito má da mulher. Seja pela roupa escandalosa, pelo penteado exótico, pelo andar, pelos modos, pela risada grosseira, seja, enfim, de que maneira for a mulher que chama a atenção sobre a sua pessoa o único troféu que merece é o da vulgaridade. A mulher elegante é discreta. Sua superioridade está nos detalhes cuidados na harmonia das cores, no bom gosto dos acessórios. Se ela é também bonita, a beleza é por si só um ponto de atração para os olhos, sem precisar ser orientada. Os homens, geralmente muito discretos, detestam as mulheres que se destacam demais, onde quer que apareçam. Não apenas pela sua própria maneira de ser, mas também por uma questão de vaidade masculina, já que não lhes é agradável ficar ofuscados ou relegados a um plano inferior.

(Helen Palmer)

*Só Para Mulheres é um livro de coletâneas dos conselhos de Helen Palmer, lançado em 2008.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

02h37

Numa dessas noites insones, me veio isso aqui:

Dormiu com as palavras.
Acordou molhada de metáforas

Com poemas entre as pernas

E desejos proibidos
sob o lençol.



Para quem nunca cria nada, até que não está de todo mal, não é?! ;-)

domingo, 19 de setembro de 2010

Ensina-me a Viver

Vi hoje a peça "Ensina-me a Viver", com Gloria Menezes e grande elenco. História sensível, ótimos atores, produção de ponta, trilha sonora sensacional. A história é um grande tapa na cara de pessoas como eu, que muitas vezes esquecem que a vida é aqui, agora e não dura para sempre. Bem, até aí tudo ótimo. Agora tocar Beirut em pleno 19 de setembro é sacanagem. Da grossa. Impossível não sair de olhos vermelhos.

Todo dia é de viver, para ser o que for e ser tudo.

Voltei. Mais madura, um pouco mais experiente. Mais saudosa de quem mora longe, aproveitando muito mais quem está por perto. Emprego novo, alguns amigos recentes e já muito queridos também. Nessa caminhada, pessoas ficaram pelo caminho. Algumas com as quais não falo mais, mas que podem voltar um dia, outras que partiram mesmo. Tenho acumulado afetos, experiências e pessoas queridas neste ano que, apesar de algumas perdas irreparáveis, tem sido de muitas alegrias. E crescimento, principalmente.

Acho esta a minha grande sacada dos últimos tempos: "A verdade é que a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito" (Millor Fernandes)

domingo, 20 de setembro de 2009

post 386

Tem sido difícil voltar aqui. Por várias razões, uma delas, talvez a que mexa com todas as outras e seja maior que a vontade de verbalizar algumas coisas, é a falta de tempo. Tenho trabalhado muitíssimo, estou retomando algumas leituras, buscando sempre que possível a fatia de diversão e afeto que me cabe, pretendo retomar alguns projetos antigos e começar um novo também.

Diante disso e das visitas que ainda recebo (obrigada, sempre!), decidi dar um tempo. Tirar umas férias do Belas Coisas Simples. Assim como foi difícil voltar, parece mais complicado ainda cessar o blog definitivamente, porque as coisas não são definitivas e algumas portas, não tem jeito, algumas portas eu insisto em manter abertas. De setembro de 2007 até hoje, foram 385 posts, 21.558 visitas, muitas amizades feitas e outras tantas fortalecidas, risadas, lágrimas, suspiros. Muito da minha vida vivida nos últimos 3 anos está aqui, nas entrelinhas, aberto para quem quiser ver. Foi um período intenso, com direito a descobertas, amores, mágoas, recomeços, momentos insuportavelmente felizes e inquietantes, alguns até beirando o sublime mesmo. De tudo, ficou muita coisa. Pode acreditar. E, por isso, deixo para o último post uma música que sempre - eu disse sempre - será parte e trilha sonora destes momentos:



Quem sabe, um dia, as coisas belas e simples voltem ao seu colorido original. Por ora, agradeço a quem ainda visita, aos amigos que escutaram muitas das histórias ditas aqui, e, principalmente, àqueles que fizeram parte delas - direta ou indiretamente. Que o dom de amar e buscar a felicidade esteja sempre presente em nossas vidas e nos faça pessoas melhores. Um dia eu volto. Ou não. :-P

Aos amigos virtuais que quiserem manter o contato, continuo nas redes sociais (twitter, facebook e orkut). A vida segue e, hoje, ela pede novos caminhos. Um beijo em todos.